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Pela Defesa do Povo Catalão

A atual crise do sistema capitalista vem assolando a Europa. Economias outrora pujantes como França, Inglaterra, Espanha e Itália, atravessam profunda recessão e para minimizar a perda de lucros, as burguesias europeias reforçam o regime de espoliação da classe trabalhadora. Nos últimos meses, uma série de direitos trabalhistas foram retirados na França após a realização, por Emmanuel Macron, de uma reforma trabalhista. O mesmo se sucede na Inglaterra e na Espanha.

O caso espanhol, no entanto, revela-se mais delicado visto que em função dos altos níveis de corrupção e desemprego, além de uma, cada vez maior, concentração do poder e riqueza nas mãos de poucos, o território da Catalunha, importante fonte de renda para o governo Espanhol (onde se situa a cidade de Barcelona), realizou um referendo onde a extrema maioria dos eleitores participantes – cerca de 90% -, votou favoravelmente à independência da região.



Repressão ao autogoverno da Catalunha



A Catalunha é uma nação antiga, que desde o século XVIII vive sob domínio espanhol. Possui língua própria e parâmetros culturais diferentes do restante da Espanha. Para além disso, é interessante ressaltar que durante a década de 1930, no período da Guerra Civil Espanhola, o território catalão foi o principal polo da resistência, organizada por comunistas e anarquistas, ao governo fascista de Francisco Franco.

Em 1º de outubro, milhares de pessoas saíram às ruas de Barcelona para defender o referendo e o autogoverno da Catalunha. O governo Espanhol, como resposta, decretou Estado de Exceção, proibindo uma série de atos políticos bem como a propaganda, ainda que informativa, acerca do referendo. Como se não bastasse, tentou escondê-lo dos meios de comunicação e das redes sociais, chegando a autorizar que as forças policiais invadissem escritórios e gráficas e apreendessem materiais como cartazes, envelopes e cédulas de votação. Não obstante, a Guarda Civil adentrou edifícios do Governo Catalão afim de tomar documentos e deter 12 funcionários governamentais e após isso, realizou o mesmo procedimento na sede da CUP (Candidatura de Unidade Popular), partido independentista de esquerda.

Já em 20 de setembro, milhares de pessoas haviam tomado as ruas em protesto à repressão em curso do governo espanhol. Embora o Tribunal Nacional Constitucional da Espanha, mais alta instância judicial do País, tenha decretado como ilegal o Referendo, ele reflete um direito democrático elementar, o direito de decisão por parte da população Catalã em se manter sob o domínio Espanhol ou proclamar sua independência. A única união que fortalece e cria condições fraternais de convivência e desenvolvimento é a que se estabelece sobre bases voluntárias.


Reprimir para impedir a luta



A serviço do imperialismo internacional, as camadas dominantes da burguesia catalã, apoiam a permanência do território sob jurisdição espanhola. Estes, que possuem seus representantes na Generalitat (governo catalão) e no Partido Democrata Europeu Catalão, temem que, dado o nível de erosão socioeconômico e de exploração aos quais são submetidos os trabalhadores, um processo de independência, iniciado pelo referendo, se transforme em um processo revolucionário de maior escala. Daí a constante defesa de dirigentes desses grupos pela realização de processos pacíficos, a não reação, dentre outros. Um movimento massivo nas ruas poderia deixá-los sem margem de manobra para tratar de buscar um acordo, no apagar das luzes, com o governo espanhol ou para decretar o fim do processo diante da impossibilidade de levar adiante a votação pela repressão. Ademais, temem que a configuração de um movimento faça com que as massas, ao se organizarem, percebam seu poder e iniciem a luta pela transformação social.

Confiar cegamente que a Generalitat prepare um sofisticado e hábil mecanismo que contornará todas as armadilhas do Estado para garantir a votação do referendo, quando as forças repressivas têm tomadas todas as comunicações, prédios do governo da comunidade autônoma, hipotéticos depósitos das urnas, entre outras coisas, somente ajuda a adormecer a consciência do povo catalão que, majoritariamente, votou e a sua disposição é à luta.


Pela organização dos trabalhadores



Só se pode confiar na mobilização das massas e em fortalecer a consciência popular, enquanto se intensificam os chamados de solidariedade e de apoio ao restante das organizações de esquerda, sindicatos, trabalhadores e jovens do resto do país. Cabe à esquerda espanhola, e a seus correspondentes europeus de modo geral, iniciar uma intransigente defesa do povo catalão através de greves, denúncias, buscando despertar as massas do perigo e da truculência impostos pelo Estado Espanhol, bem como por todo o Imperialismo, dentro e fora da Catalunha. Da mesma maneira, devem organizar-se os sindicatos, assim como todos os aparatos da classe trabalhadora para preparar a onda de severos enfrentamentos – carregados de alto teor de violência física e ideológica – que imporá o governo Rajoy, fantoche da direita Franquista na Espanha. Não é admissível que um governo tão corrupto quanto esse interfira na autonomia de um povo.

A repressão está sendo aplicada a todo o vapor, as instituições catalãs estão sendo violadas e suas competências cerceadas. Há detenções e presos por exigir votar.

Estamos em um momento histórico. Os franquistas do passado voltaram a tomar as rédeas do Estado completamente e condenaram a maioria da classe trabalhadora a um futuro de exploração brutal, precariedade e sofrimento.

Somente o movimento operário tem a força, coesão e potência para aglutinar o conjunto das reivindicações populares e combater com êxito à repressão do Estado. A vontade do povo Catalão deve ser respeitada, sancionando-se o resultado do referendo e desta maneira permitindo que a Catalunha se torne uma república independente, capaz de garantir e zelar pelos interesses de seu povo. A luta por direitos democráticos é uma das etapas da luta revolucionária e, portanto, deve integrar e refletir os anseios da classe trabalhadora.


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