O surgimento do movimento de luta das mulheres trabalhadoras como movimento de massas em escala internacional está diretamente ligado ao nome de Clara Zetkin, uma revolucionária alemã, que viveu entre 1857 e 1933. Em 1907 Zetkin encabeçou a iniciativa de realizar o I Congresso de Mulheres Socialistas, com a finalidade de impulsionar a participação política das mulheres de diversos países na luta revolucionária e de definir um programa de luta pelas reivindicações da mulher operária.
A criação do Dia Internacional da Mulher foi aprovada no II Congresso de Mulheres Socialistas, em 1910, proposta pela própria Zetkin, seguindo o exemplo do 1º de Maio e inspirado nas lutas das operárias fabris dos Estados Unidos. Poucos anos depois, em 1917, os protestos das mulheres russas no 8 de março abriram as portas para a revolução mais importante da era contemporânea, a Revolução Russa, e consolidaram a data como dia de luta internacional das mulheres.
De lá pra cá, a burguesia buscou cooptar a data para “homenagear” mulheres que se enquadram nos padrões de comportamentos que interessam às classes dominantes, ou seja, os padrões que substituem os protestos pelas comemorações, que camuflam as determinações sociais que levam à superexploração do trabalho feminino, à violência institucional e à sub-representação no poder sob o manto da meritocracia, que busca modelos raros de superação para naturalizar os problemas femininos na sociedade de classes. Tentam nos convencer de que há uma questão individualizada das mulheres separada da questão social geral. Essa hipocrisia, fantasiada de homenagens, oculta fatos como a permanência, no Brasil, de altas taxas de feminicídio e de estupros, enquanto homens conservadores, muitos deles praticantes de abusos contra mulheres e meninas, tentam criminalizar as que buscam o aborto em caso de risco de vida ou de gravidez fruto de estupro. E, para consolidar a opressão contida nesse controle sobre o corpo feminino, naturalizam as dificuldades impostas socialmente às mulheres no mercado de trabalho por causa da gravidez.
As mulheres ocupam a maior parte dos trabalhos domésticos, dos cuidados com filhos e idosos da família, na maioria das vezes, sem nenhuma rede de proteção pública nem respeito às suas condições de trabalho e de vida, afetadas por essa sobrecarga de tarefas. Atividades como cuidadoras, professoras, trabalhadoras domésticas, enfermeiras, que têm a função de garantir bem-estar coletivo, são profundamente desvalorizadas economicamente, muitas vezes sem vínculos empregatícios formais.
Sobre a violência contra as mulheres, além da tolerância que a sociedade machista e misógina mantém para com os agressores, evidenciada nos descasos até mesmo para o cumprimeto de Leis como a Maria da Penha, se considerarmos que, em mais de 90% dos casos, ela é cometida dentro de casa, compreende-se que a dependência econômica cria condições para a perpetuação do ciclo violento e está entre os principais obstáculos para rompê-lo.
Nos últimos anos, após o golpe de 2016 que derrubou a presidenta eleita, Dilma Rousseff, os ataques aos direitos conquistados pelas mulheres foram muitos e continuam constantes no atual Congresso Nacional, de maioria conservadora. Por isso mesmo, foram elas as responsáveis pelas maiores manifestações do último período, em defesa de emprego e renda, do direito ao aborto, à educação e saúde públicas.
Na sociedade capitalista, a luta por igualdade de direitos entre homens e mulheres se mantém necessária, pois a conquista de direitos democráticos fortalece as mulheres para lutarem contra a opressão de uma classe social sobre a outra. Para as mulheres trabalhadoras, os direitos iguais representam um meio para progressos na luta contra a escravidão econômica de toda a classe trabalhadora.
Um viva às mulheres de luta!
Foto: Hilary J. Morgan/Design pics