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Professores paulistas aprovam plano de mobilização

Unificar alunos, pais, professores e funcionários na defesa da escola pública, na defesa dos direitos da classe trabalhadora, na luta por justiça social.

Na primeira assembleia do ano, realizada no último dia 21 de março, em São Paulo, os professores da rede estadual aprovaram um calendário de mobilizações proposto pela diretoria de seu sindicato, a Apeoesp, que culminará com um dia de greve em 25 de abril, quando uma nova assembleia definirá o prosseguimento da paralisação. Trata-se de uma resposta aparentemente tímida aos crueis ataques que o governo de Tarcísio de Freitas Republicanos) vem impondo à educação. Mas é fundamental entender que todas as medidas adotadas nos últimos tempos, que destroem as condições de trabalho dos educadores, estão acompanhadas de mudanças draconianas nas regras que garantem autonomia e estabilidade à categoria. A recondução de contratados, por exemplo, em desconsideração à legislação da classificação para atribuição, mantém essa parte da categoria refém dos gestores. Além disso, a limitação do direito à ampliação de jornada relacionada à assiduidade e esta como item de classificação para atribuição; as duras exigências  para avaliação dos 12 mil ingressantes do último concurso no estágio probatório; o não reconhecimento do direito legal de greve das últimas paralisações e a falta de ativismo de uma parte significativa da burocracia sindical, são fatores que podem fragilizar a participação dos professores nas mobilizações. No entanto, apesar de toda essa situação, a categoria mostrou, mais uma vez, sua disposição para responder aos chamados para a luta e aprovou, na assembleia, a necessidade da greve. 

Depois de um processo de atribuição de aulas para o início do ano letivo, marcado por inconsistências, desrespeito e que deixou milhares de professores desempregados, manter suas aulas tem sido um ponto de extrema necessidade para todos que dependem do seu trabalho para viver. É desta forma que o governo pretende garantir um exército de reserva e manter quem está na ativa docilmente submetido a baixos salários e péssimas condições de trabalho. Mas, ao mesmo tempo em que a categoria adoece para tentar se adaptar, por necessidade vital, às perdas de direitos, cresce entre ela a consciência de que a luta em unidade é a única saída, pois a tendência é de virem mais ataques e mais perdas, com a construção de escolas pela iniciativa privada, a implantação do modelo cívico-militar e terceirização da educação especial e da gestão.

Tarcísio e seu secretário, Renato Feder, representam um rolo compressor sobre os serviços públicos e fazem da educação paulista um balcão de negócios para que empresas lucrem ao vender plataformas e serviços e explorar mão de obra barata.O salário base dos professores efetivos do estado mais rico do País está abaixo do piso. Os contratados e os ingressantes da “nova carreira” recebem um pouco acima do piso, mas estão condenados a não terem reajustes, o que deixará seus salários, já no próximo ano, também abaixo do piso. Com a mudança curricular e a alteração da duração das aulas, o tempo trabalhado na escola aumentou para todos e isso, na prática, significa redução salarial.

Esse desmonte afetará o direito básico da população à educação pública de qualidade. Por isso, precisamos unificar alunos, pais, professores e funcionários na defesa da escola pública, na defesa dos direitos da classe trabalhadora, na luta por justiça social.

 

Foto: Rogério Cavalheiro/Apeoesp


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