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Professores do Paraná na luta por valorização e respeito à carreira docente

Categoria exige a equiparação salarial, o respeito à carreira docente e melhores condições de trabalho

No Paraná, o sindicato dos trabalhadores em educação (APP-Sindicato) lançou a Campanha Salarial 2025, aprovada pela categoria em assembleia realizada no último dia 22 de fevereiro. A campanha faz a defesa da equiparação salarial dos profissionais da educação às demais categorias do Poder Executivo. Atualmente, os professores recebem os menores salários do funcionalismo estadual. Enquanto um docente com dois padrões inicia sua carreira ganhando R$ 4.420,00, servidores do Quadro Próprio do Poder Executivo (QPPE) recebem R$ 7.616,00, uma diferença de R$ 3.196,00. Em outros períodos, já houve equiparação, mas a política do atual governo de Ratinho Jr. (PSD) tem sido de desvalorização do magistério, utilizando os resultados da educação básica para propaganda, enquanto paga os menores vencimentos do Executivo paranaense. 

O anúncio recente de reajustes salariais pelo governador e pelo secretário da Educação, Roni Miranda, durante um evento realizado em Foz do Iguaçu, no último dia 24 de fevereiro, gerou indignação entre os profissionais da educação. O aumento, que varia entre 4% e 11%, não corrige a defasagem acumulada de quase 50%. Professores em início de carreira, contratados via Processo Seletivo Simplificado (PSS), terão um reajuste maior (11%), enquanto aqueles do Quadro Próprio do Magistério (QPM), com mais tempo de serviço, receberão apenas 4%. A APP-Sindicato critica essa política, também adotada em São Paulo pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aprofunda o achatamento da carreira e desvaloriza os educadores com anos de dedicação à rede pública. 

Além disso, a falta de diálogo é vista como um desrespeito à categoria. Para muitos, o aumento salarial anunciado não passa de uma estratégia para dividir os trabalhadores da educação e enfraquecer a luta pela valorização. O Sindicato reforça que não se opõe ao reajuste maior para quem está no início da carreira, mas exige equidade para todos os níveis da profissão. Enquanto municípios garantem o pagamento do piso nacional, o Paraná deixou de repassar os reajustes de 2023 e 2024, prejudicando ainda mais os docentes da rede pública. 

A luta da APP-Sindicato não se limita à questão salarial. A campanha também inclui reivindicações urgentes, como a garantia da Hora-Atividade, já reconhecida pela Justiça, mas não cumprida pelo governo; o fim da intensificação do trabalho pedagógico; a não privatização das escolas; a extinção do modelo de escolas cívico-militares e o retorno da realização de eleições democráticas para as direções das 2.100 escolas da rede estadual. 

Também os aposentados sem paridade esperam por valorização, pois enfrentam uma defasagem de 47% nos seus vencimentos. Já os funcionários de escola aguardam adequações na tabela do seu enquadramento, promessas não cumpridas pelo governo estadual.  

Diante desse cenário, a categoria exige a equiparação salarial, o respeito à carreira docente e melhores condições de trabalho. Reivindica um piso salarial digno para professores da ativa e aposentados, com e sem paridade, bem como para os PSS, no valor de R$ 4.867,77, com implantação retroativa a janeiro de 2025 e impacto em toda a tabela.  

O Piso salarial da educação não pode se transformar em teto, pois ele é o início da carreira e seus reajustes devem incidir sobre ela. A desvalorização salarial obriga os trabalhadores a cumprirem jornadas estafantes, que os adoecem, além das péssimas condições de trabalho que complicam o cenário, inviabilizando a oferta de uma educação de qualidade para os filhos da classe trabalhadora.  

Somente a luta organizada da categoria poderá fortalecê-la na correlação de forças com o governo. Todos os direitos que estão sendo destruídos hoje foram conquistados nas lutas passadas. É hora de lutar para retomar o que foi perdido e conquistar mais. 

 

Foto: Luan Romero/APP-Sindicato 


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