A falta de efetivos nos Correios tem se tornado uma das maiores preocupações para os trabalhadores e para a população brasileira. Há anos, os empregados, através de seus sindicatos, reivindicam, em todas as campanhas salariais, a urgente contratação de mais profissionais para todos os setores da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). A escassez de pessoal tem sobrecarregado os trabalhadores, que são obrigados a cumprir funções cada vez mais pesadas e com prazos apertados, enquanto a população, dependente dos serviços postais, sofre com a ineficiência e a demora nas entregas. A falta de contratação dos novos concursados só agrava a situação, colocando em risco a qualidade do serviço e desamparando milhões de brasileiros.
Depois de 13 anos, em dezembro de 2024, finalmente, foi realizado o tão aguardado concurso público. Mas até o momento, março de 2025, ainda não houve a contratação dos novos concursados. A situação é aberrante, pois enquanto a saída de trabalhadores e trabalhadoras que estão deixando a Empresa já tem data marcada devido ao PDV (Plano de Demissão Voluntária), o déficit de funcionários e as dificuldades na execução das tarefas só aumentam a cada dia.
A política de sucateamento e precarização das condições de trabalho vem se intensificando dentro dos Correios, inclusive com mudanças recentes e redução abrupta de salários dos trabalhadores terceirizados, os MOT’s (Mão de Obra Temporária), que prestam serviços na área de distribuição, como carteiros. Seus contratos foram alterados, reduzindo substancialmente seus recebimentos mensais, o que piorou as condições de vida e de trabalho desses profissionais. Infelizmente esta é a política da terceirização, onde o empregado é superexplorado e tem os direitos suprimidos de forma abrupta e compulsiva, além da alta rotatividade que não permite que estes empregados aprendam de fato o serviço e o executem de forma adequada, pois quando estão aprimorando os conhecimentos, são “descartados” de forma sumária pelas terceirizadas.
Para os carteiros e carteiras, a exigência é cada vez maior para melhorar os resultados das entregas, especialmente das encomendas e dos registrados. A ferramenta utilizada para alcançar esses resultados, denominado EPTC (Efetividade na Primeira Tentativa ao Cliente), é utilizada como um assédio constante, a exemplo do que ocorre com a base de atuação do Sindicato dos Trabalhadores da ECT de Minas Gerais, SINTECT-MG, sujeita à cobrança de metas que não são de responsabilidade do carteiro, pois não se pode controlar se o cliente estará ou não em casa. Cobrar esta meta é um abuso e falta de respeito com os profissionais que fazem de tudo para entregar as encomendas aos destinatários o quanto antes. Exigir do empregado uma meta que depende de o cliente estar em casa para recebimento de uma encomenda é, no mínimo, absurdo, um assédio empresarial completo.
O SINTECT-MG, juntamente com os trabalhadores e as trabalhadoras de sua base, exige mudanças imediatas no tratamento dispensado pela ECT a todos os empregados e empregadas, com uma séria mudança de postura e o fim imediato dos assédios. Exigimos ainda a contratação imediata dos novos concursados para que possam ser treinados e amenizar a sobrecarga de trabalho que ocorre dentro da Estatal. Por fim, cobramos a realização de novo concurso público para contratação de atendentes comerciais, que trabalham nas agências de Correios e de Operadores de Triagem e Transbordo, que fazem o tratamento das encomendas e as mandam para as unidades de destino, fundamentais para o atendimento do prazo de entrega.
NÃO AO SUCATEAMENTO!
POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO!
CONTRATAÇÃO JÁ!
Foto: Reprodução. Crédito: Correios