
Na madrugada deste sábado (3), explosões foram ouvidas na capital da Venezuela, Caracas, em diferentes áreas da cidade, bem como no Aeroporto Simón Bolívar, em Maiquetia, e no porto de La Guaira. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu País realizou, com sucesso, os já anunciados ataques em larga escala contra a Venezuela e que o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados e removidos da Venezuela.
O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil Pinto, declarou publicamente que o país exercerá seu direito de defesa em todas as plataformas internacionais, utilizando todos os mecanismos disponíveis. O bombardeio tem sido denunciado por especialistas do mundo todo como uma violação ao Direito Internacional. Ismael Blanco, analista político uruguaio, afirmou na imprensa que as ações de Washington minam o sistema de instituições internacionais estabelecido após a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, "trata-se de uma violação do direito internacional. É evidente que [os EUA] estão destruindo e pisoteando a Carta da ONU. Especialmente os dois primeiros artigos, que tratam da soberania e igualdade jurídica dos Estados, bem como da proibição do uso da força".
Para além das questões que envolvem o Direito Internacional, sempre desrespeitado pelos EUA quando quer invadir um país e destruir seu governo e sua soberania, o que está por detrás do ataque ao país sul-americano são os interesses estratégicos no petróleo venezuelano e no lítio da América Latina. A retomada da Doutrina Monroe, de 1823, que proclamou “a América para os americanos (leia-se estadunidenses)”, é uma necessidade vital para o País imperialista que se encontra em uma crise sem precedentes e não pode competir, nem econômica, nem belicamente, com a Ásia e com a emergência de uma nova ordem multipolar.
A Venezuela detém as maiores reservas mundiais de petróleo e, desde que Hugo Chávez, em 2002, foi vitorioso nas eleições e iniciou o período denominado de Revolução Bolivariana, a tática do boicote às eleições venezuelanas tem sido promovida pela frente opositora, sustentada pelos EUA. Com tentativas frustradas de não permitir a reeleição de Maduro em 2024 e com a vitória esmagadora do chavismo nas eleições municipais de 2025, a alternativa para Trump foi o ataque direto e violento.
Logo após os primeiros bombardeios, que incluíram, também, interrupções de energia, Nicolás Maduro decretou estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, determinou a ativação dos planos de defesa nacional, ordenou o desdobramento do Comando para a Defesa Integral da Nação e anunciou a passagem imediata à defesa armada. Em um comunicado oficial, o governo venezuelano conclamou todas as forças sociais e políticas do país a ativar os planos de mobilização e repudiar o ataque colonialista. O comunicado também diz que “Em estrito respeito ao artigo 51 da Carta das Nações Unidas, a Venezuela reserva-se o direito de exercer a legítima defesa para proteger seu povo, seu território e sua independência. Convocamos os povos e governos da América Latina, do Caribe e do mundo a mobilizarem-se em solidariedade ativa diante desta agressão imperial.”
Nós da LPS, compreendemos que a luta de classes se acirrará no País vizinho cujo governo, sob ataque, tem uma sólida base popular, mas mantém alianças com setores da burguesia venezuelana e com importantes setores das Forças Armadas. A defesa da soberania venezuelana poderá unificar os diferentes setores da sociedade se a correlação de forças entre eles estiver favorável ao povo. Do contrário, o fato de a Revolução Bolivariana não ter expropriado a burguesia em nome da gestão proletária dos meios de produção deixa em aberto o desfecho desse processo interno de lutas de classes, com setores importantes da burguesia nacional podendo se bandear para o lado do imperialismo, como ocorre nos demais países da região. A atual configuração geopolítica, com a possível interferência de China e Rússia, será também decisiva para o desfecho do conflito.
A LPS repudia mais essa ação estadunidense contra a soberania de um povo e conclama toda a esquerda brasileira a se unir nesse momento crucial de luta antiimperialista no continente Sul-Americano.
A defesa da Venezuela, de sua soberania e do presidente eleito pela população é a defesa dos povos da América Latina e suas riquezas.
Pela unidade latino-americana para enfrentar os EUA!
Fora Trump da América Latina e do Caribe!
Devolvam Maduro ao seu povo!