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EUA e Israel agem para desestabilizar o Irã e enfrentam resposta popular

Estados Unidos e Israel promovem uma campanha multifacetada para desestabilizar o país, aproveitando-se de protestos iniciais de natureza econômica

 

De acordo com depoimentos de membros do governo iraniano, os Estados Unidos e Israel promovem uma campanha multifacetada para desestabilizar o país, aproveitando-se de protestos iniciais de natureza econômica. O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, fez uma denúncia internacional na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, em entrevista ao canal libanês Al-Manar, sobre a infiltração de grupos terroristas armados nos recentes protestos econômicos com o objetivo de minar seu caráter pacífico.
Agências militares e de inteligência do Irã apresentaram provas convincentes que ligam o vandalismo presente nas manifestações a uma estratégia de guerra híbrida coordenada entre potências ocidentais e grupos terroristas locais, que assume várias formas.

As autoridades iranianas denunciam que grupos armados, ligados ao Mossad, agência de inteligência israelense, infiltraram-se no país e realizam ataques violentos contra infraestruturas críticas, como mesquitas (53 foram incendiadas), veículos de emergência (caminhões de bombeiros e ambulâncias), delegacias e instalações governamentais. Segundo Araghchi , os ataques às forças de segurança são uma estratégia que serve diretamente aos interesses do presidente dos EUA, Donald Trump, para justificar uma intervenção militar. A intenção, segundo o governo, seria inflar artificialmente o número de vítimas e criar um cenário de caos para justificar uma eventual intervenção humanitária internacional.

Um método destacado pasta a desestabilização do país é o uso de campanhas coordenadas de desinformação. As autoridades relatam ter desmantelado uma rede que utilizava ferramentas de inteligência artificial para criar e disseminar vídeos e imagens falsas dos distúrbios. O objetivo é amplificar a percepção de instabilidade e manipular a opinião pública internacional, retratando os manifestantes violentos como "vítimas".

O governo iraniano informa que estão ocorrendo prisões de indivíduos acusados de recrutar jovens para a violência de rua, com instruções supostamente recebidas do exterior via redes sociais. Além disso, líderes locais seriam financiados e orientados para incitar tumultos e ataques a símbolos nacionais e religiosos.

Por sua vez, o governo iraniano vê nas declarações de autoridades estadunidenses – como as do presidente Donald Trump, oferecendo apoio a manifestantes – uma clara incitação à desestabilização. Esse apoio se estenderia a figuras da oposição no exterior, como Reza Pahlavi, filho primogênito do último monarca do Irã e considerado um dos mais proeminentes opositores do regime dos aiatolás no Irã, desde a revolução de 1979, que pôs fim ao reinado de seu pai, um ditador aliado dos EUA. Exilado nos EUA, suas declarações são interpretadas por Teerã como um endosso aos ataques. A narrativa ocidental, largamente divulgada pela imprensa corporativa, é uma tentativa de "sequestrar" protestos legítimos e transformá-los em uma operação de mudança de regime, similar às tentativas na Venezuela e em outras partes do mundo, como os protestos pró-europeus na Ucrânia, a Euromaidan (2013-2014), que levaram à derrubada do presidente Victor Yanukovych, aliado da Rússia.

A origem dos protestos iniciais está nas dificuldades econômicas, agravadas pela desvalorização da moeda nacional (rial) devido às sanções dos EUA. O método do imperialismo ocidental se repete: desestabiliza a economia de um país por meio de sanções, acusa o seu governo de promover o sofrimento do povo e explora esse mal-estar social para fins políticos desestabilizadores.

 

A Reação Popular e Oficial Iraniana

Em resposta aos protestos orquestrados pelo exterior, milhões de iranianos tomaram as ruas em diversas províncias do país sob slogans de "Solidariedade Nacional e Honra à Paz" (foto). Essas marchas, que também serviram como cortejos fúnebres para agentes de segurança mortos, são uma rejeição popular clara à violência e um apoio explícito ao governo e à Revolução. Os manifestantes condenam os ataques e entoam slogans contra os EUA e Israel, reafirmando a unidade nacional.

As Forças de Segurança, como o Exército e a Guarda Revolucionária, também agem em nome da unidade nacional realizando operações de segurança que resultaram na prisão de dezenas de indivíduos ligados a células de inteligência estrangeiras, envolvidos em planejamento de ataques, posse de armas, fabricação de explosivos e disseminação de desinformação.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã, em carta enviada à Organização das Nações Unidas, ONU, no sábado, dia 10, condenou, veementemente o que chama de "declarações intervencionistas e enganosas" dos EUA, classificando-as como violações do direito internacional e uma continuação de um histórico de interferência. O governo do presidente Masoud Pezeshkian, eleito em 2024, anunciou que tomará medidas legais internacionais contra os supostos planejadores externos da sabotagem. Por outro lado, reconheceu a necessidade de revisar a gestão administrativa para atender às demandas legítimas da população, demonstrando uma postura democrática de enfrentar as causas econômicas dos protestos iniciais.

Ao contrário do que a imprensa corporativa tenta convencer o mundo, o Irã está sob ataque imperialista por meio de uma "guerra híbrida", que combina pressão econômica, infiltração armada, guerra digital e apoio político-diplomático externo. A resposta iraniana está caracterizada por uma repressão segura às ações violentas, uma diplomacia ofensiva contra a interferência estrangeira e, crucialmente, a garantia de um amplo apoio popular que podem frustrar os objetivos de desestabilização e reafirmar a soberania nacional frente a pressões externas.
 


Foto: imagem extraída de vídeo divulgado pela Iran Press, em 9 de janeiro de 2026, mostra manifestantes pró-governo. 

Crédito: AFP – Fonte: Iran Press


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