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EUA/Israel contra o Irã

A operação Fúria Épica contra o Irã, realizada pelo império estadunidense e pelo genocida governo de Israel, concretiza uma ideia fixa guardada há mais de 40 anos e exposta, sem cortes e sem censura, ao mundo.

O ensaio geral já havia ocorrido em junho de 2025, na guerra que ficou conhecida como a "guerra dos 12 dias" contra o Irã, visando a mudança do regime iraniano.  Israel e Estados Unidos não conseguiram êxito neste momento, mas o genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza e em outras regiões se manteve em curso, sem freio.

Vimos a Síria sendo balcanizada e a Líbia cercada por assentamentos israelenses. Sabe-se também que alguns governos fantoches na região apoiam a ação contra o Irã. Os países do Golfo Pérsico e suas monarquias são aliados e sustentáculos do financiamento público do império estadunidense, devido à manutenção da prática do petrodólar. O cenário parecia fértil para a provocação da segunda guerra contra o Irã — a operação Fúria Épica — que, de imediato, assassinou 165 meninas em uma escola, além do líder político e religioso do Irã, Ali Khamenei, seus familiares e outras figuras importantes na política iraniana. Tudo isso durante a retomada de um processo de negociação.

De forma inesperada para os senhores da guerra, essa segunda investida contra o Irã, que teve início em 28 de fevereiro deste ano, encontrou uma forte resistência do País persa e encontra-se em processo crescente em toda a região do Golfo, tendendo a se alastrar mundialmente como uma tragédia global no mundo dos negócios, além de generalizar a crise energética. Até o último dia 12 de março, o Irã relatou 42 ondas de ataques, no âmbito da operação que chamou de Promessa Verdadeira, contra alvos em Tel Aviv e contra bases das forças armadas dos Estados Unidos.

A morte de Khamenei foi, na verdade, o gatilho que fez parte do mundo islâmico se unificar em várias regiões contra Israel, o império estadunidense e seus apoiadores. A resiliência do Irã é assustadora. Terá sido o martírio de Khamenei, o sacrifício, ou autossacrifício, que faltava para a jihad iraniana? A guerra atual contra o Irã trouxe à tona o eixo da resistência, que pareceu "ressurgir das cinzas", como a fênix. O script fugiu do roteiro e Trump e Israel perderam o controle da guerra. O Irã dita as regras, tem um plano e mostra suas estratégias a cada dia que passa.

O recente sequestro do presidente venezuelano, Nicolas Maduro, e sua esposa, a deputada Cilia Flores, bem como a tomada do petróleo venezuelano e o estrangulamento de Cuba fortaleceram Trump e o encheram de esperanças para atuar como "xerife do mundo". Esses fatos não estão isolados dos desesperados ataques do império estadunidense para mudar definitivamente o regime iraniano e, quem sabe, varrer o Irã da região. Ao que tudo indica, essa alternativa seria a “tábua de salvação” do império em decadência e de seu sócio menor, Israel.

 

A Fúria Épica em curso

O segundo ato da guerra contra o regime iraniano pelos irmãos siameses — EUA e Israel — se deve ao fato de o país ser a “pedra no sapato” para que o império estadunidense se fixe no Oriente Médio como o verdadeiro “dono do pedaço”.

Neste pedaço da Ásia, rico em petróleo e estrategicamente localizado, os sionistas buscam, de um lado, consolidar a narrativa mística e fundamentalista do projeto da grande Israel e, de outro, a salvação dos EUA da decadência por meio da manutenção do petrodólar, garantido pelos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — fonte mantenedora do poder do dólar como moeda de reserva mundial. O Irã pode destruir o sonho dourado da hegemonia estadunidense na região do Golfo Pérsico. Inclusive, as monarquias que governam os Estados-membros do CCG podem correr riscos diante de possíveis conflitos internos.

Na região há três monarquias constitucionais (Catar, Kuwait e Barein), duas monarquias absolutas (Arábia Saudita e Omã) e uma monarquia federal (os Emirados Árabes Unidos, compostos por sete Estados-membros). Estados "criados" durante o império britânico, que teve papel fundamental na formação, demarcação de fronteiras e estruturação política da grande maioria dos países do Golfo Pérsico. Posteriormente, passaram a ser controlados pelo império estadunidense. A sede principal do CCG fica em Riade, capital da Arábia Saudita. Há, portanto, uma união e aliança militar regional, política e econômica entre os países do CCG e o império estadunidense. O Iraque é o único Estado árabe do Golfo que não integra o CCG. O governo iraniano, ao mesmo tempo, precisa enfrentar o CCG e o império estadunidense.

O conflito travado pode levar a uma crise sem precedentes na história da humanidade. O fechamento do estreito de Ormuz e a mais recente ameaça, por parte dos houthis, grupo armado xiita zaidita do Iêmen, de destruição das tubulações de gás que passam pelo mar Vermelho deixaram o mercado à beira de um infarto. Também entraram em cena, em apoio ao Irã, o Hezbollah, do Líbano, e o Hamas, grupo armado palestino. Os ataques das partes envolvidas na guerra têm deixado muita destruição pelo caminho. Estaremos nós às portas de uma terceira guerra mundial?


Foto: reprodução web

 


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