
Por Wagner Xavier – maio, 2026
Neste 28 de maio de 2026, completam-se 155 anos do brutal massacre que colocou fim à Comuna de Paris, a primeira grande experiência histórica de governo dos trabalhadores. Após 72 dias de resistência heroica, cerca de 20 mil parisienses foram assassinados pelo próprio exército francês durante a chamada “Semana Sangrenta”, encerrada em 28 de maio de 1871.
A Comuna nasceu em meio à crise provocada pela derrota da França na Guerra Franco-Prussiana. Enquanto o povo de Paris resistia ao cerco e à fome, a burguesia francesa capitulava diante dos prussianos e preparava a repressão contra sua própria população. O governo de Thiers preferiu se aliar aos antigos inimigos para esmagar os trabalhadores armados de Paris.
A história mostrou, mais uma vez, que parte das elites prefere se ajoelhar diante de interesses estrangeiros do que aceitar qualquer avanço popular e social dentro do próprio país.
A Comuna de Paris permanece atual exatamente por isso. Ela revelou que os trabalhadores podem governar, organizar a sociedade e defender os interesses da maioria do povo. E também demonstrou que as classes dominantes, quando se sentem ameaçadas, abandonam qualquer discurso patriótico e se unem contra o povo.
No Brasil de hoje, vemos comportamentos que lembram esse velho padrão histórico. Setores da nossa burguesia seguem subordinados aos interesses externos, especialmente dos Estados Unidos, mesmo quando isso prejudica a soberania nacional, a indústria brasileira, os empregos e o desenvolvimento do país.
Figuras como Romeu Zema, Nikolas e Tarcísio de Freitas simbolizam essa postura de alinhamento automático ao projeto da extrema direita norte-americana, chegando ao ponto de utilizar o boné “MAGA” (Tornar a América Grande Novamente) — slogan ligado a Donald Trump — enquanto os Estados Unidos mantêm políticas de proteção econômica e taxações que prejudicam produtos brasileiros e atingem trabalhadores nacionais.
É uma contradição profunda: defendem um suposto patriotismo, mas apoiam políticas econômicas subordinadas aos interesses estrangeiros e do mercado financeiro internacional. Assim como a burguesia francesa de 1871 preferiu se unir ao invasor para derrotar o povo de Paris, setores da elite brasileira seguem demonstrando mais compromisso com interesses externos do que com o povo brasileiro.
Lembrar os 155 anos da Comuna de Paris é também lembrar que a luta por soberania nacional, justiça social e direitos dos trabalhadores continua atual. Os comunardos tombaram nas barricadas de Paris, mas deixaram uma lição que atravessa gerações: nenhum povo conquista dignidade sem organização, consciência política e disposição de lutar contra aqueles que colocam seus privilégios acima da própria nação. E a burguesia, junto a setores da burocracia estatal, no essencial ficaram contra o povo.