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Zema e a destruição do patrimônio público: o caso do Palácio das Mangabeiras

O sumiço de mais de mil itens históricos do Palácio das Mangabeiras revela o profundo desprezo da gestão neoliberal de Romeu Zema (Novo) e de seu sucessor, Mateus Simões (PSD), pela memória cultural e pelo patrimônio público de Minas Gerais. Sob o pretexto mercantilista de "cortar privilégios", o governo privatizou o uso do imóvel projetado por Oscar Niemeyer para eventos privados da elite mineira, deixando um rastro de destruição e o desaparecimento sistêmico de relíquias artísticas.

O escândalo explodiu após fiscalizações alarmantes da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Parlamentares da bancada de oposição acionaram formalmente a Polícia Federal e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para apurar o caso.

O desmonte do patrimônio: o que sumiu do Palácio?

A varredura realizada por parlamentares constatou que as dependências do palácio, outrora ricas em história coletiva, foram completamente esvaziadas. Restaram apenas cinco móveis originais no local: uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano.

  • Biblioteca histórica: um total de 1.038 livros raros, que haviam sido restaurados anteriormente, desapareceu por completo.
  • Mobiliário de valor inestimável: uma mesa de jantar monumental de 40 lugares e tapeçarias históricas sumiram das salas oficiais.
  • Pratarias e cristais: conjuntos inteiros de talheres de prata e copos de cristal foram retirados sem prestação de contas transparente.
  • Memória do Cinema: a sala de cinema idealizada por Juscelino Kubitschek na década de 1940 foi integralmente descaracterizada, com o sumiço do projetor e das poltronas originais.
  • Obras de arte danificadas: relatos do próprio Secretário de Cultura, Leônidas Oliveira, apontam que dezenas de obras de arte (de gênios como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti) foram encontradas jogadas na Cidade Administrativa, armazenadas de forma inadequada sob tecidos pela Polícia Militar. Um biombo de quatro metros de Di Cavalcanti sofreu graves rachaduras ("craquelou") devido ao descaso no transporte.

Do "Museu das Mordomias" à entrega para a iniciativa privada

Durante a campanha eleitoral, Romeu Zema surfou na onda do falso moralismo da direita ao prometer criar no local o "Museu das Mordomias". A farsa da austeridade, no entanto, abriu caminho para a privatização do espaço público. O imóvel, que integra o conjunto paisagístico da Serra do Curral e é protegido pelo IPHAN, foi repassado à Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e entregue para exploração comercial, como a mostra de arquitetura de luxo Casa Cor.

Denúncias levadas ao TCE-MG apontam que a estrutura física do palácio sofreu danos irreversíveis provocados por cupins nas portas, fiação exposta e infiltrações graves, enquanto diretores da Codemge usavam a estrutura para a realização de banquetes e festas particulares.

A reação Popular e a investigação criminal

A conivência das elites governantes com o apagamento cultural mobilizou parlamentares do campo progressista. A deputada Bella Gonçalves (PT) protocolou uma notícia-crime na Polícia Federal exigindo a responsabilização direta de Romeu Zema e de Mateus Simões por crime contra o patrimônio público. Paralelamente, o deputado estadual Leleco Pimentel (PT) conquistou a abertura de uma auditoria no TCE-MG para exigir a exibição do inventário oficial, que o governo do Estado se recusa a apresentar de forma transparente.

"O desaparecimento integral do conteúdo do Palácio das Mangabeiras é um dos maiores escândalos culturais recentes. Sumiu tudo, tudinho, não sobrou nem o cheiro", denunciou a jornalista Hildegard Angel em suas redes sociais.

 

O desprezo: "móveis velhos"

Fiel à sua lógica de empresário que enxerga o mundo apenas por meio de planilhas de lucro, Romeu Zema ironizou as denúncias. Em declarações públicas à imprensa, o ex-governador e pré-candidato à presidência minimizou a perda histórica ao classificar o acervo desaparecido como "móveis velhos". Zema chegou ao absurdo de afirmar que o dinheiro supostamente "economizado" por ele ao não residir no palácio cobriria o prejuízo do sumiço dos itens.

Essa postura escancara a visão ideológica da extrema-direita e dos setores neoliberais: a história de um povo, a arte e a cultura nacional não passam de mercadorias descartáveis. Diante do cinismo institucional, movimentos sociais, artistas e a oposição de esquerda exigem que as autoridades federais conduzam a investigação até o fim. O patrimônio do povo mineiro não pode ser leiloado, destruído ou privatizado nos porões do poder econômico.


 

Foto: reprodução web


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