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BH: NÃO AO PL 574!

CARTA ABERTA À CÂMARA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE E À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE MINAS GERAIS

No último dia 19 de agosto, ativistas e entidades do Movimento Social, em nome de moradores dos bairros Concórdia, Lagoinha e Bonfim, de Belo Horizonte, encaminharam uma carta aberta à Câmara Municipal de Belo Horizonte (BH) e à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) manifestando discordância ao PL 574/2025-BH e solicitando maior tempo para análise e criterioso debate com a população belo-horizontina para alterações vitais em defesa e proteção da população por ele abrangida.

 

Leia um resumo da carta:

Nós, ativistas e entidades do Movimento Social sediadas em BH, na região do PL 574/2025, e em nome de moradores dos bairros Concórdia, Lagoinha e Bonfim, vimos apresentar nossas preocupações sobre a "Operação Urbana Simplificada Somos Centro".

Entendemos que o PL 574, como está, suscita sérias dúvidas quanto à compatibilidade com princípios do planejamento urbano democrático (Estatuto da Cidade, Plano Diretor de BH e ODS 11), além de ameaçar o patrimônio ambiental, cultural e o direito à permanência das populações historicamente presentes.

Nossa primeira preocupação é com o processo de participação social: a consulta pública online, com apenas 96 comentários, divulgação restrita e perguntas genéricas, não configura gestão democrática efetiva. Questionamos como as contribuições foram incorporadas ou rejeitadas, e onde está a devolutiva.

Quanto ao conteúdo, o PL não reflete as preocupações da consulta nem detalha intervenções concretas: não há programas de fortalecimento do comércio, infraestrutura, recuperação patrimonial ou espaços públicos. Concentra-se na flexibilização de parâmetros para aumentar o potencial construtivo, adensamento e verticalização.

Diferentemente de operações urbanas anteriores, o PL 574 não foi precedido de diagnósticos públicos, estudos de impacto, cenários urbanísticos ou propostas projetuais. Isso fragiliza sua legitimidade como planejamento integrado, reduzindo-o a uma regulação de mercado sem responsabilidade com moradores, cidade e natureza.

O PL também ignora legislações vigentes, zoneamentos e operações em curso, como as ADEs, ZEIS e o Plano Centro-Lagoinha. Foca-se em verticalização residencial, sem definir uso, ocupação, ou destinação à Habitação de Interesse Social (HIS). Não há percentuais, localização, faixas de renda ou mecanismos que garantam a permanência da população.

Sobre infraestrutura, o PL afirma "aproveitar a existente", mas há evidências de insuficiência e má qualidade. Sem estudos públicos de capacidade das redes, não se pode avaliar a compatibilidade do adensamento proposto. Também não há propostas concretas de espaços públicos, áreas verdes ou mitigação de riscos ambientais, como na ADE do Arrudas.

Quanto ao patrimônio cultural, o PL menciona restauro, mas não estabelece programa de proteção para bens materiais nem para o patrimônio imaterial – como terreiros, rodas de samba, capoeira, escolas de samba, blocos, congados e saberes tradicionais. Não há garantia de preservação dessas redes culturais.

O eixo central do PL – ampliação do potencial construtivo – gera pressão imobiliária, especulação, aumento do custo de vida e substituição de moradores (gentrificação), sem contrapartidas claras para a população. Não há estudos sobre esses impactos nem mecanismos para proteger pequenos comerciantes, comunidades e espaços de memória. Os benefícios são fiscais para empresas, sem previsão de medidas para minimizar danos aos residentes.

Concluímos que o PL 574 é descaracterizado, frágil, irresponsável, pouco participativo e violento simbolicamente, pois ignora os habitantes, seus territórios e o meio ambiente. A cidade é um bem coletivo, não uma mercadoria.

Requeremos da Câmara Municipal de BH e da ALMG mais tempo para debate criterioso, pesquisas e alterações vitais no PL, garantindo o bem viver sem prejuízos aos moradores.

 

Por todos os argumentos, afirmamos:

NÃO AO PL 574!

NÃO AO PL DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA!

NÃO AO PL DA VERTICALIZAÇÃO!

NOSSOS BAIRROS NÃO SÃO NEGÓCIOS E O PROGRESSO DE VERDADE RESPEITA ANCESTRALIDADE E TERRITÓRIO!

Caso aprovado, seguiremos mobilizados pela defesa do direito à cidade e de uma BH que respeite seus moradores, história e diversidade cultural.

 

Assim requeremos,

Atenciosamente.

Belo Horizonte, 19 de agosto de 2026.

Paulo Gonçalves – ASCOMAC

Rubens Teixeira – ASCOMAC

Fernanda de Souza - ASCOMAC

Vinicius Henrique da Cruz Pereira – ASCOMAC

Cida Dantas - ASCLA

Isabel Casimira - Reinado Treze de Maio 

Kelly - Guarda de Congo São Jorge

Vânia Aparecida Pires da Cruz – Guarda de Congo de São Bartolomeu do Reino de Nossa Senhora do Rosário.

Isabel Coutinho- N’zo Kabila

Helio Katu - Nzó Kuna Nsumbu / Nucléo Assistêncial Ilê Axé do Obaluayê

Imani Katuezô – Casa Bantu

Wagner – Afoxé Onirê

Edigar Alves de Melo – LPS

Marcia Cristina Rosa – LPS

Danielle Amorim Rodrigues – Arquiteta Urbanista - LPS

Pedro Paulo de Abreu Pinheiro – LPS

Daniele Fagundes Soares – Comunicação – LPS

Rafael Barros - Bloco Filhos de Tchatcha

Sirlan - Associação Vila São Rafael

Nilson Ferreira - Professor - Programa Alô Comunidade

Miriam Aprigio - Agende Territorial do Ministério da Cultura

Gabriela Barros - Pesquisadora e Turismóloga

Shirley Magda Oliveira dos Reis - Clã Sambadeiras

Robson Crivelho Barbosa - Cinema na Vila

Ciro Cordeiro de Abreu Pinheiro - Baticum Cultural 

Sodac - Casa Criativa

Luiz Cláudio - Escritor/Poeta


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