
Nos dias 28 e 29 de agosto de 2026, foi realizado o 17º Encontro de Mulheres e o 2º Encontro de Diversidades de Gênero, com o tema “Reconhecer, romper e reconstruir”. A programação, organizada em torno do lema “Nenhuma violência deve ser normalizada”, propôs dois dias de debates, formação, troca de experiências e construção coletiva sobre as diferentes formas de violência que atingem as mulheres e a população LGBTQIAPN+.
Promovido pelo SINTCOM-PR e pelo movimento Mulheres de Luta Paraná, o encontro reuniu trabalhadoras e trabalhadores dos Correios de várias regiões do Paraná e foi estruturado em dois grandes eixos. Na sexta-feira (28), o eixo “Reconhecer” concentrou as atividades voltadas à identificação das diferentes formas de violência e à compreensão de como elas se santmanifestam em espaços como a família, o trabalho e os relacionamentos.
A abertura oficial contou com a participação da Secretária de Mulheres e Diversidades de Gênero,do Sintcom-PR, Élida Santiago, além da saudação da Secretária-geral do SINTCOM-PR, Elizabeth Ortiz. Em seguida, entidades, sindicatos, movimentos sociais, autoridades e convidadas participaram da composição da mesa política.
Entre os debates do primeiro dia esteve a análise de conjuntura, realizada pela professora Dolores Zundt, seguida de uma discussão sobre saúde da mulher, com palestra da enfermeira Andressa Borges. A programação também abordou a violência no ambiente profissional, com a palestra “A violência também acontece no trabalho”, apresentada por Elisabete Ortiz.
Outro momento de destaque foi a discussão sobre a violência na infância, com a palestra “A violência não começa no primeiro tapa”, conduzida pela psicóloga Lígia Natália Abramoski . A atividade buscou chamar atenção para a necessidade de reconhecer sinais de violência antes que situações de agressão se agravem.
Romper o silêncio e buscar apoio
No sábado (29), o segundo eixo, denominado “Romper e Reconstruir”, aprofundou as discussões sobre denúncia, acesso à Justiça, redes de proteção e reconstrução da vida após situações de violência.
A programação incluiu uma palestra sobre violência contra pessoas LGBTQIAPN+, com participação da pedagoga Loide Ostrufka, representante da CUT no Conselho Nacional das pessoas LGBTQIA÷, além do debate “Romper o silêncio: como denunciar e acessar a rede de apoio”, com representantes da Segurança Pública e da Patrulha Maria da Penha.
O acesso à Justiça também esteve entre os temas centrais. A palestra “Da denúncia à Justiça: quais são seus direitos e como exercê-los”, com as advogadas Sabrina Lunardelli e Amanda Marques, discutiu os caminhos jurídicos disponíveis às vítimas e a importância do conhecimento sobre seus direitos.
A programação avançou ainda para uma reflexão sobre os obstáculos enfrentados por mulheres que tentam romper ciclos de violência. A palestra “Cada dia da violência: por que é tão difícil sair?”, conduzida por uma assistente social, tratou das dificuldades sociais, econômicas e emocionais que podem impedir ou dificultar o rompimento com situações abusivas.
Na sequência, a psicóloga Natália abordou o período posterior à violência, com a palestra “Existe vida depois da violência”, destacando a possibilidade de reconstrução e retomada da autonomia.
Memória, resistência e reconstrução
O encontro também incorporou atividades culturais. Entre elas esteve uma visita guiada à exposição de telas, apresentada como um momento de apreciação e diálogo sobre arte, memória, resistência e enfrentamento à violência.
Um dos momentos finais da programação foi a “Roda de Conversa – Vozes da Resistência”, dedicada às histórias de mulheres sobreviventes da violência, suas trajetórias de superação e reconstrução e o fortalecimento coletivo.
O encerramento contou com a leitura da Carta do Encontro, além de avaliação e agradecimentos. A programação foi concluída com uma confraternização entre as participantes.
Reconhecer, romper e reconstruir
Mais do que o título do encontro, “Reconhecer, romper e reconstruir” sintetiza a proposta política e social da programação. O primeiro passo é reconhecer as violências, muitas vezes naturalizadas e invisibilizadas. O segundo é romper o silêncio, buscar apoio e denunciar. O terceiro é criar condições para que as vítimas possam reconstruir suas vidas com autonomia, dignidade e liberdade.
A mensagem central do encontro reforça que combater a violência contra as mulheres exige informação, políticas públicas, redes de proteção, acesso à Justiça e organização coletiva.
“Juntas somos mais fortes”, afirma o lema que acompanha o encontro, destacando a importância da solidariedade e da ação coletiva na luta pelo fim de todas as formas de violência e pela garantia dos direitos das mulheres e das diversidades de gênero.