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Megacachês públicos destroem ecossistema da música, alerta Gilberto Mauro, do Sindimus-MG

O uso desmedido de recursos públicos para bancar apresentações de grandes artistas no Brasil tem gerado impactos severos na classe artística local. Para Gilberto Mauro, liderança do Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado de Minas Gerais (Sindimus-MG), a concentração de cachês milionários atua como uma força destrutiva na base da cultura: "Cada show desse é como se você jogasse uma bomba em um ecossistema. São vários salários de músicos que são perdidos. Cada show desse são mais músicos que vão para a pobreza".

Mauro assumiu papel ativo na divulgação dos dados do dossiê Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio, publicado pelo observatório De Olho nos Ruralistas. O sindicalista mineiro fez o levantamento circular intensamente entre redes e fóruns de profissionais da música no estado, mobilizando debates sobre a precarização do setor e a necessidade de aprofundar as apurações.

O oligopólio cultural e a conexão com o agronegócio

Para o dirigente do Sindimus-MG, o impacto predatório vai além dos palcos e atinge diretamente a distribuição musical e os meios de comunicação regionais:

"Era muito importante continuar a pesquisa, porque é muito mais predatório do que parece. Milhares de rádios no Brasil são mantidas ou pertencem a estas produtoras, em parceria com o agronegócio." — Gilberto Mauro

A denúncia do sindicalista mineiro converge com o cenário nacional revelado pelo estudo:

  • R$ 5 bilhões foram pagos por prefeituras e governos estaduais a apenas cem artistas desde janeiro de 2024.

  • R$ 3,08 bilhões desse montante foram destinados a um grupo exclusivo de 40 nomes com contratos acima de R$ 50 milhões.

  • R$ 2,42 bilhões abasteceram apenas cinco empresas, entre elas produtoras de Wesley Safadão (Camarote Shows), Xand Avião (Vybbe) e Pablo do Arrocha (M&P).

  • R$ 150 milhões de recursos públicos financiaram o circuito de rodeios, vaquejadas e festas de peão — um valor 56 vezes superior ao investido em eventos ligados à agricultura familiar.

 

Mobilização sindical e impactos pelo país

A análise de Gilberto Mauro sobre o empobrecimento da base artística encontra eco em outras entidades de classe do país:

Em São Paulo, o presidente do Sindmus-SP, Adelmo Ribeiro, reforça a preocupação ao afirmar que os recursos públicos enriquecem grandes empresários e artistas do topo da pirâmide, enquanto o trabalhador da música "fica à deriva".

Na Bahia, Sidney Zapata, do SindiMúsicos-BA aponta a quebra do mercado regional e a descaracterização de festejos populares tradicionais pelo avanço de megaeventos ligados ao agronegócio, destacando que o dossiê subsidiará ações penais e jurídicas.

 

Live debate o relatório com presença do Sindimus-MG

Para detalhar as denúncias levantadas pelo dossiê, o De Olho nos Ruralistas realiza uma série de coberturas e transmissões ao vivo. A primeira edição do debate conta com a participação de Gilberto Mauro, do Sindimus-MG.

Ao lado do diretor do observatório Alceu Luís Castilho e da apresentadora Gaia Lourenço, Mauro debate o futuro da categoria e os impactos da concentração de capital com a cantora goiana Talita Mel — artista com duas décadas de carreira que teve seu nome artístico copiado por uma intérprete ligada a uma das grandes produtoras mapeadas na investigação.

A transmissão pode ser acompanhada diretamente pelo canal do observatório no YouTube

 


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