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Karl Marx é Pop

Por mais que os adeptos ao capitalismo insistam que Karl Marx tenha “saído de moda”, tanto nos antigos países comunistas que mudaram para o “livre” mercado, quanto também no restante do mundo, não foi bem isso que mostrou uma enquete feita entre os ouvintes da BBC de Londres, nos meados da década de 2000, que elegeu o alemão, autor de "O Capital", como o filósofo favorito da história para o público votante. Marx ficou em primeiro lugar em uma pesquisa organizada pela Rádio4, pertencente à emissora pública britânica, na frente, por exemplo, de outros grandes e celebres pensadores, como Imannuel Kant.A revista "The Economist", que também repercutia a enquete na época, lamentou que os filósofos John Locke e Adam Smith, seus representantes favoritos, não tivessem conseguido entrar na lista dos 20 selecionados para disputar o título e até publicou uma nota intitulada "Um espectro ronda a BBC”, onde convidava seus leitores a tentar frear a ascensão da popularidade de Marx, votando em qualquer um dos demais candidatos.

O certo é que, passados duas centenas de anos após seu nascimento, o genial teórico Karl Heinrich Marx, fundador do comunismo científico, artífice da tática e da estratégia revolucionária do proletariado, defensor do materialismo dialético histórico e autor de obras fundamentais da literatura mundial como “O Manifesto Comunista”, (Das Kommunistische Manifest – 1848) e “O Capital” (Das Kapital - 1867) continua sendo uma das personalidades históricas mais conhecidas, reverenciadas e respeitadas pela humanidade. Reconhecido como o fundador de uma área de conhecimento dentro das ciências humanas, os trabalhos do “Pai do Socialismo” versam sobre história, filosofia, economia e sociologia, sendo inegável sua contribuição para a economia, principalmente sobre a teoria do valor econômico e com o desenvolvimento de conceitos como o da mais-valia e do fetiche da mercadoria. Para a história, a concepção materialista é considerada um divisor de águas e pensar uma saída para o capitalismo, buscando novas formas de produção e distribuição econômica para igualar os homens em suas condições materiais e sociais, liberando-os da alienação, é um dos maiores legados provenientes da teoria de Marx. O alcance de suas obras é incomensurável e seu nome está invariavelmente associado às teorias sobre comunismo, socialismo e revolução, podendo-se citar a Revolução Russa como um dos maiores e principais eventos relacionados ao impacto de sua obra.


Marx presente na cultura popular


O filósofo alemão, além de ser figura obrigatória em quase todas as bibliotecas e sites acadêmicos mundo afora, também engrossa a lista dos grandes ícones da cultura pop mundial, mostrando-se atual e presente em várias formas da comunicação que exploram e difundem suas ideias e sua imagem. De chaveiros outros, a marcante figura de Karl Marx estampa diversos produtos, lembrando a um público mais contemporâneo a importância e magnitude de sua obra.

O cinema também tem se mostrado bastante interessado na vida e na obra do filósofo alemão. Em 2017, um filme produzido a partir de uma parceria entre França, Alemanha e Bélgica, contando a história do pai do socialismo, estreou e percorreu o circuito das salas de exibição do Brasil e do mundo. “O Jovem Marx” é uma obra cinematográfica que exprime, desde o nascedouro, a gênese de ideias desse grande pensador que mudaram a história do século XX e persistem até a atualidade. O filme mostra os anos em que o capitalismo brotava “claro como água de rocha” nos centros dos grandes impérios europeus, desprovido de quaisquer subterfúgios ideológicos ou de concessões materiais em troca de consenso político, emergindo em Londres e em toda a Europa, como o que realmente sempre foi: uma escravidão assalariada, uma impiedosa moenda de corpos e de almas de trabalhadores. O filme mostra, também, as realidades que modelaram as lutas travadas naquela época, tal como modelam as de hoje e se mantém muito coerente numa leitura do que possa haver de comum entre o momento atual e aquele passado.

Inúmeros outros filmes de diversos diretores, de diferentes nacionalidades, foram influenciados por Marx e suas ideais, no decorrer dos anos. Segue abaixo uma pequena lista de títulos, que mostram a importância deste filosofo alemão na sétima arte.


                O Encouraçado Potemkin (1925) - Sergei M. Eisenstein


                Outubro (1928) - Sergei M. Eisenstein


                Um Homem com uma Câmera (1929) - Dziga Vertov


                Terra (1930) - Alexander Dovzhenko


                Três Canções Para Lênin (1934) - Dziga Vertov


                Os Tempos Modernos (1936) - Charles Chaplin


                Teorema (1968) - Pier Paolo Pasolini


                Z (1969) - Costa-Gavras


                Pocilga (1969) - Pier Paolo Pasolini


                A Classe Operária Vai ao Paraíso (1971) - Elio Petri


                Barry Lyndon (1975) - Stanley Kubrick


                1900 (1976) - Bernardo Bertolucci


                Vida de Inseto (1998) - John Lasseter, Andrew Stanton


                Adeus, Lenin! (2003) - Wolfgang Becker


                Film Socialisme (2010) - Jean-Luc Godard


                Casa Grande (2014) - Fellipe Gamarano Barbosa


A principal obra do pensamento de Karl Marx, “O Capital”, também foi transformada em musical, na China. O estudo político-econômico sobre o capitalismo foi adaptado para os palcos chineses em uma colorida narrativa ambientada numa empresa onde os operários estão insatisfeitos com as condições de trabalho e se revoltam ao descobrirem que são explorados por um patrão inescrupuloso que só pensa nos lucros. O show apresentava números de dança nos moldes dos musicais da Broadway e dos shows de Las Vegas, primando pela seriedade e fidelidade na adaptação da ideologia marxista.

Outra forma de comunicação bastante usada para perpetuar a obra de Marx são os quadrinhos (ou banda desenhada ou arte sequencial), uma linguagem bastante eficaz no objetivo de atingir as mais diversas classes sociais e faixas etárias, principalmente os mais jovens. A obra de Marx se vê representada nas seguintes edições:


“O Capital” (Selo “Na revolução”) - Carlos Barradas - Editora Mil Dias


“O Capital em Quadrinhos” - K. Ploeckinger e G. Wolfram - Apresentação de Lúcio Colletti - Editora e Livraria Escrita


Marx: Uma biografia em quadrinhos (Selo “Barricada”) - Corinne Maier e Anne Simon - Boitempo Editorial


Manifesto Comunista em Quadrinhos - Rodolfo Marcenaro e Edson da Silva Coelho - Editora Versus


Manifesto do Partido Comunista em formato mangá - Tradução de Drik Sada - Editora L&PM


O Manifesto Comunista em Cordel – Antônio Queiroz de França


Direita surta com lançamento da obra de Marx para crianças


Em celebração ao bicentenário de Karl Marx, em 2018, a editora Boitempo lançou o livro “O Capital para crianças” - ilustrações de Joan R. Riera e Liliana Fortuny - com o objetivo de apresentar algumas ideias do filósofo alemão às crianças, de forma bem lúdica. Mas a direita, extremista e preconceituosa, não suportou a possibilidade de ver crianças descobrindo um pouco mais sobre a realidade em que vivem, onde toda a riqueza é produzida pelos seus pais trabalhadores, mas fica concentrada nas mãos de um pequeno grupo de patrões exploradores. A editora, então, recebeu diversas ligações e mensagens nas redes sociais com ameaças e ofensas feitas por reacionários direitistas. Mas parece que a direita vai ter ainda muito que chorar neste ano, pois Boitempo não se intimidou e vai seguir com o projeto “Ano Marx”, que lançará diversas obras sobre o autor, em 2018.


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